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Processo AQUA certifica o True Chácara Klabin

1º edifício do país certificado desde o projeto ao fim da obra.

Nós do Rodrigo Carvalho Arquitetura Conceito  estamos sempre atentos a Sustentabilidade e Eficiência Energética da Edificação, e como entusiastas do assunto, curtimos compartilhar boas notícias sobre o desenvolvimento do processo de certificação das edificações que vem finalmente ganhando espaço no país, em especial a AQUA da Fundação Vanzolini, que apesar de ter origem em um processo francês, é totalmente adaptada a realidade brasileira no processo de certificação e hoje o processo AQUA ganha maior visibilidade, representando no Brasil a rede internacional de certificação HQE.

A Alta Qualidade Ambiental dos empreendimentos submetidos ao processo AQUA de certificação pauta-se nas catorze categorias de preocupação ambiental definidas em 1992 pela Associação HQE na França. São elas:

CATEGORIA 1 - RELAÇÃO DO EDIFÍCIO COM O SEU ENTORNO
CATEGORIA 2 - ESCOLHA INTEGRADA DE PRODUTOS, SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS
CATEGORIA 3 - CANTEIRO DE OBRAS DE BAIXO IMPACTO AMBIENTAL
CATEGORIA 4 - GESTÃO DA ENERGIA
CATEGORIA 5 - GESTÃO DA ÁGUA
CATEGORIA 6 - GESTÃO DE RESÍDUOS DE USO E OPERAÇÃO DO EDIFÍCIO
CATEGORIA 7 - MANUTENÇÃO - PERMANÊNCIA DO DESEMPENHO AMBIENTAL
CATEGORIA 8 - CONFORTO HIGROTÉRMICO
CATEGORIA 9 - CONFORTO ACÚSTICO
CATEGORIA 10 - CONFORTO VISUAL
CATEGORIA 11 - CONFORTO OLFATIVO
CATEGORIA 12 - QUALIDADE SANITÁRIA DOS AMBIENTES
CATEGORIA 13 - QUALIDADE SANITÁRIA DO AR
CATEGORIA 14 - QUALIDADE SANITÁRIA DA ÁGUA
 
 

Em: 21/5/2013

É nos detalhes que o edifício True Chácara Klabin, da incorporadora Even, se destaca entre os inúmeros novos residenciais a sua volta, na zona sul de São Paulo. Quem passa por ele, na Rua Fábio de Melo, nem desconfia se tratar do primeiro empreendimento habitacional do País certificado do projeto à realização da construção pelo selo de sustentabilidade Aqua.

Esta semana, o Estado conheceu em primeira mão as dependências desse “edifício verde”, com entrega prevista para o dia 28, após 29 meses de obras e a quase três anos do início do desenvolvimento do projeto. O True passa atualmente pelos últimos retoques, ocupado  apenas por alguns pedreiros, profissionais de limpeza e encarregados da obra.

Quase tudo por lá tem algum toque de sustentabilidade, mesmo longe das vistas. Os elevadores, por exemplo, têm um sistema de acionamento que torna as acelerações e desacelerações mais suaves, reduzindo picos de consumo de eletricidade. Eles geram economia de até 40% em relação a um equipamento convencional.

Além de eficientes, os elevadores são extremamente silenciosos. Mesmo dentro da cabine, a movimentação das engrenagens não é percebida. E os motores dos equipamentos, quase sussurrantes, estão isolados acima do 21º andar, onde se localiza a casa de máquinas, revestida com uma lã acústica aplicada em todas as paredes.

Os cuidados com o controle de ruídos também estão nos apartamentos. As paredes internas são de drywall com tratamento acústico, e o contrapiso, a despeito de seu aspecto rústico, recebeu uma manta especial de isolamento, que impede a propagação de vibrações e sons entre os andares.

Avaliadas em média em R$ 700 mil, as unidades residenciais têm 65 m², dois dormitórios e revelam seu caráter ‘verde’ com discrição. Todas as suas portas têm como matéria prima madeira coletada por manejo comprovadamente sustentável. O cimento usado na obra é do tipo CP III, cuja produção ocasiona menor liberação de gases que geram o efeito estufa. E as lajes de sustentação do prédio foram construídas a partir de fôrmas reaproveitáveis.

As aberturas nas unidades valorizam a circulação de ar e a luminosidade natural. As janelas dos dois dormitórios, por exemplo, possuem venezianas de rolamento, que permitem maior entrada de raios solares no ambiente quando estão recolhidas. Na sala e na cozinha, os caixilhos se estendem do chão ao teto e reduzem os obstáculos para a luz no apartamento.

Os banheiros são compactos, mas não menos efetivos. Com duplo acionamento, as bacias têm caixa acoplada, mais econômica, e são abastecidas com água de reuso, produzida em uma pequena estação de tratamento localizada no subsolo do prédio. A opção por reduzir os desperdícios também é adotada por meio de um sistema de aproveitamento da água pluvial, usada para regar os jardins nas áreas de paisagismo. As espécies escolhidas no edifício, aliás, demandam pouco consumo para a hidratação.

No box de banho, o que mais chama a atenção, abrigados em uma caixa com acesso externo chumbada na parede, são os canos de abastecimento da unidade, feitos com material flexível e que dispensa emendas. Esta opção hidráulica diminui significativamente ruídos decorrentes da movimentação das águas – controlada por redutores de pressão – e os riscos de possíveis vazamentos em junções.

Um sistema de aquecimento solar completa as medidas de economia. Há 86 placas de captação da energia do sol no edifício, a maior parte delas no topo, logo abaixo da antena coletiva deTV.Outra parte fica disposta em um telhado verde sobre a área de fitness, no terceiro pavimento, e esquenta a água da piscina do condomínio.

De acordo com a incorporadora do Even, a estrutura criada deve atender, no mínimo, 39% de toda a demanda anual de energia necessária para o aquecimento da água doméstica e da piscina. Essa redução pode ser ainda maior levando -se em conta outros cuidados adotados no empreendimento.

A maior parte das lâmpadas das áreas de circulação são de LED, mais duradouras. Além disso, o prédio residencial possui um sistema de luminárias cujo acionamento pode ser feito automaticamente, de acordo com as orientações de um sensor fotoelétrico.

As áreas de trânsito e convivência entre os moradores prezam pela acessibilidade. Todos os ambientes são identificados em braile, e o piso na frente dos elevadores é tátil. As escadas de emergência, pressurizadas para evitar a propagação de labaredas em casos de incêndio, ainda contam com placas de identificação e áreas reservadas para cadeirantes. Eles são atendidos também com rampas de acesso e até um elevador próximo ao espaço gourmet.

A destinação dos resíduos produzidos é outro aspecto importante no edifício. Há um espaço livre nas cozinhas para a colocação de lixeiras de coleta seletiva. Fora da unidade, o lixo pode ser depositado em compartimentos no hall, liberando as escadas de emergência, até ser levado ao térreo e separado de acordo com seu tipo em duas câmaras de armazenagem.

O empreendimento ainda contará com um manual para orientar morador a utilizar “edifício verde”.

Fonte: O Estado de S. Paulo